HISTÓRIA
O município é de origem bastante recente,
o desbravamento, propriamente dito de suas terras e a sua
conseqüente formação populacional está
intimamente ligada à atividade garimpeira, a qual
começou a se desenvolver na região a parti
de 1919, com a chegada dos primeiros aventureiros do garimpo,
sedentos de valiosíssima pedra ali existente: o diamante
A primeira denominação do lugar em que hoje
fica a sede do município de Alto Garças, foi
São Vicente do Bonito, posteriormente simplificado
para Bonito(existe em MS, município com o mesmo nome).
Por fim, para evitar duplicidade de nomes, foi alterado
para Alto Garças. O município de Alto Garças
teve origem no desmembramento de Alto Araguaia.
A região foi habitada pelo povo indígena boróro,
não restando mais vida tribal organizada no município.
O general Couto Magalhães, no livro "O Selvagem",
pp. 187-190, diz que obteve informação no
Pará, de velhos pilotos do Rio Tocantins, de que
os jesuítas do Pará se comunicavam com os
do Paraguai. Chama para prova, a menção de
cartas do padre Antônio Vieira e por nomes de lugares
ou itinerários ou navegação, que pelas
aparências só poderiam ser dados pelos registros.
Couto Magalhães sugere que o roteiro tenha sido pelos
rio São Lourenço, Itiquira e Garças.
A movimentação da região remota ao
final do século passado. Antônio Cândido
de Carvalho, depois de explorar o Rio Vermelho, inteirando-se
de sua fabulosa riqueza, passa a explorar o Rio Garças.
Parte para desvendar suas riquezas até suas cabeceiras.
Baseado em informações de outros sertanejos,
pouco conhecedores da região, foi ter no Rio Itiquira.
Em 1897, numa nova tentativa, deixa o Porto Itiquira, acompanhado
pelo engenheiro Celso Pasini, José Francisco e Bonifácio
de ribeiro Macedo, além de levar consigo os "camaradas"
Salustiano Duarte Moraes, Manoel Pedro Serra Dourada, Manoel
Francisco de Oliveira e Babuíno José da Silva.
Arripia o rio até a mais alta cabeceira, na Serra
da Saudade.
Devido ao pequeno volume d'água, largaram os braços
de uma certa distância de cabeceira e caminharam cerca
de 15 léguas, a pé. Desceram o Rio das Garças
até a barra, perfazendo coisas de 70 léguas.
O reconhecimento do rio das garças atraiu fazendeiros
e seringueiros de mangabais do cerrado. Em 1908 os coletores
da borracha de mangabeiras Feliciano Cezílio de Souza,
seu irmão João Cezílio, José
Lício de Araújo e José Luíz,
seduzidos pela fama da região, chegaram à
fazenda Boa Vista, de João José de Moraes
Cajango. Cajango dissuadiu a comitiva de procurar os arbustos
mangabeiros e foi incutidos nela a idéia de se dedicar
à exploração mineral. Como já
tinham experiência de garimpo, os coletores se entusiasmaram
com a proposta. Munido com as ferramentas necessárias,
provisões e demais utensílios, constituíram
uma verdadeira expedição. Foram ter ao ribeirão
Galante, hoje município de Guiratinga. O que Cajango
queria era desviá-los do trabalho sem método
de extração de látex, pois o que acabariam
por fazer seria tornar o gado mais fugidio do que já
era.
A expedição foi bem sucedida e Cajango pôde
Ter paz em sua fazenda. O povoamento da região do
município de Alto Garças parecem ter tido
início no vale do Rio Café. Ali chegaram os
primeiro garimpeiros por volta de 1915, sobressaindo o nome
de Emílio Crisóstomo Barbosa e Fel de Castro.
O povoado denominado Café, em referência ao
Rio Café, abrigava população de quase
mil habitantes, dispondo de toda infra-estrutura de uma
boa cidade, obviamente, para os padrões da época.
Possuía, dentre outras coisas, uma pista para pouso
de avião de pequeno e médio porte. O progresso
da "corrutela' permitiu a construção
de uma ponte sobre o Rio Café, destruída no
ano seguinte por uma enchente. Dentre os garimpeiros contavam-se
inúmeros baianos, maranhenses e goianos. O povo abandonou
o primeiro sítio, passando, em 1920, para o lugar
denominado Cafelândia, mais tarde erigido em distrito.
Manoel Bastos e seus genros constituíram várias
posses, sendo a primeira a Fazenda São Vicente, mais
tarde "Casa de Pedra". Este nome foi mudado por
desejo do antigo proprietário no ano de 1905, sendo
esta a mais antiga propriedade de toda a região,
localizando-se a 12 quilômetros da sede do município.
A existência desta fazenda impôs formalmente
a abertura de estradas, que embora carreteiras, permitiram
a comunicação com os outros vizinhos: Goiás
e Cuiabá, dando também acesso a penetração
de garimpeiros, facilitando a entrada da turma do major
Pitaluga e da Comissão Rondon, quando estendiam os
fios telegráficos na ragião.
A fazenda de Cajango se estendia pelo chão hoje de
Guiratinga e Alto Garças. O retiro de São
Vicente, nessa grande fazenda, situava-se um ponto de entroncamento
para três lugares: o que hoje é Guiratinga,
para Cafelândia e para Buriti, ponto para negócios.
O decreto estadual n.º 818, de 02 de junho de 1928,
reservou 3.600 hectares de terras para a formação
do patrimônio. O decreto n.º 366, de 03 de maio
de 1934, determinava que a área reservada ao patrimônio
fosse tirada do excesso da Fazenda São Vicente, ou
Casa de Pedra e/ou Picada. Exatamente na parte que o proprietário
não exercia domínio.
O município sofreu de perto as desordens e desmandos
dos garimpeiros de diamante do leste mato-grossense, quando
as forças de Morbeck foram esfaceladas pela pelas
forças policiais comandadas pelo capitão Daniel
de Queiroz.
Com a denominação de Bonito, foi criado o
Distrito de Paz, pelo Decreto n.º 222, de 3 de fevereiro
de 1933.
A Lei n.º 545, de 31 de dezembro de 1943, alterou a
denominação para Alto Garças.
Alto garças, não se limitou apenas à
extração mineral, mas baseou-se também
no florescimento da agropecuária, que proporcionou
um grande impulso a região e hoje o predomina no
município é a agricultura, com um dos maiores
números de grãos de soja para sementes do
Estado e um dos potenciais de pluma de algodão. Clima,
solo e topografia são elementos naturais que possibilitam
o uso intensivo da mecanização, permitindo
aplicar as mais modernas tecnologias de produção
de algodão. Em função da estação
de chuvas bem definida, o clima é ideal para o cultivo.
Na época da colheita, há uma interrupção
quase que completa das chuvas, garantindo assim uma produção
estável e confiável ano após ano. O
algodão atinge altos índices de rendimento,
com excelentes características de fibra em nível
mundial para um algodão não irrigado .
Estes
esforços têm conseqüência direta
no aumento da área plantada, bem como na produção.
O uso de novas variedades, adaptadas à colheita mecanizada
e muitas delas resistentes às principais doenças,
permitiu uma sensível elevação da produtividade,
com alto rendimento em fibra e boa qualidade.O município
encontra-se em pleno desenvolvimento.